segunda-feira, 24 de março de 2014

Reflexo de sua página...

...E no reflexo de sua página,
Su'realidade...


Um suspirar de desalento.
Suas pernas rastejavam
sobre aquele misto de terra,
sangue, suor e lágrimas,
num prazer de dor cristalina,
ajoelhado e rendido a tal adágio,
a tal sonho que nunca se revelou,
consumido pela sede do cansaço,
pela fome de suas palavras.

Seus olhos barrentos e deslumbrados,
(somente) iluminados pela poeira,
p'lo reflexo de sua página,
Su´realidade.

Em seus braços imaculados,
transportava o paladar
do seu prazer, do seu destino,
do reflexo de sua página,
Su´realidade.


Marco Mangas @ 23 de Março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Poesia (s)em cria(são)...

Poesia (s)em cria(são)...
Neste dia manifestou-se a palavra,
o relevo, a sua indefinição.

O esboço, metamorfose de carvão,
de sossego, que o vento lavra,
Indisposição do poeta, convulsão!

Criaturas puérperas, lançadas em vão,
Lavra a pa(lavra),
Criou-se a poesia e sua meta,
Ergueu-se o ignorado poeta 
e sua definição... 


Marco Mangas @ 21 de Março de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

E assim...



E assim…
Navegamos ao ritmo do silêncio
de cada palavra não proferida,
enterrada e recalcada.
Uma vala comum de sentimentos,
folhas, cadernos, blocos,  letras, vozes.

Naufragaremos um dia (para sempre)
sob uma lápide contrastada com versos,
rosas, crisântemos, ou não…
Palavras dispostas, sem tonalidade,
abraçadas à terra e ao incontestável.

E assim…
Enterraremos a poesia.



Marco Mangas @ 25 de Fevereiro de 2014

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

As sombras daquela árvore de pedra


As sombras daquela árvore de pedra,
seus galhos, seu objecto, sua adjectivação.
A existência feroz e insignificante de suas raízes
perante tais sementes inofensivas…
Os corvos lideram a acção,
determinados, insaciáveis, imperatrizes…
As palavras são meramente figurantes,
testemunhas de tal cenário,
permissivas a tal acto hostil e pintado.



Marco Mangas @ 12 de Fevereiro de 2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Assombração


Quero assombrar o teu ego,
O teu ventre,
Mergulhar no teu corpo,
Contornar a tua sombra,
Beber e (em)beber-te,
Devorar a tua imoralidade,
O suor dos teus pecados,
O aroma dos teus desejos…
Quero perder-me no teu labirinto,
Incendiar-me de tesão,
Atingir o clímax da tua madrugada
Quente e húmida,
Sem nexo, nem (com)plexo,
Até atingir o pulsar do teu orgasmo
Crescente e selvagem,
Enlouquecer na miragem da tua assombração!


Marco Mangas @ 29 de Janeiro de 2014

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A sua razão...



Ausência presenciada,
Sombra da argumentação,
Honrado seja o seu veneno,
Sua dissertação:
Louca, transpirada, tresloucada…

Que ousadia cristalina dissipada
Reparo aceso, amplo, sem prisão,
Sortilégio no seu pleno,
Num rumo índole, robusto: enumeração
libertina, voraz, consumada.

Discreta sombra declinada,
Criatura em mutação,
Esboço do grito obsceno,
Cruel à medida da sua aproximação,
Incontestável e interpolada…

…A sua razão…



Marco Mangas @ 1 de Janeiro de 2014

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As almas dos poetas

As almas dos poetas:

Teimam em cair sem discurso,
Vozes literárias, mudas…
Não evitam aquele percurso
Das pedras pontiagudas.

Enterradas no latifúndio,
Iluminadas pelo fogo que lavra
A morte, no seu gerúndio,
Que tropeça em cada palavra…

São melodias em contratempo
Quadras eternamente recordadas,
O silêncio é o viajante do tempo,
Testemunho das palavras guardadas.




Marco Mangas @ 4 de Setembro de 2013

sábado, 31 de agosto de 2013

Realidade que te envolve


Rios secos,
Assobios,
Silêncio,
Utopia…
Reviravolta,
Almas sombrias,
Dias fúteis,
Ausência de tempo…

Realidade que te envolve


Folhas caídas,
Índole perspectiva,
Nada…
Guerra,
Indiferença…
Demência,
Outra página evaporada,
Rara inexistência,
Armas de arremesso…

Realidade que te envolve

Poesia abandonada,
Outros tantos versos,
Ética desprezada,
Triste página,
Ilustração de grafite…
Complexidade do
Autor…



Marco Mangas @ 31 de Agosto de 2013

domingo, 18 de agosto de 2013

Ar(dor)



No meio de tantas, uma página invisível,
Uma hipérbole de espinhos no seu inverso,
Um (ar)dor, um prefixo de dor indescritível,
Naquele gesto atordoado de um incógnito verso.

Entre gemidos e ruídos sem compasso…
A descrição da dor é transparente,
(Embora presente) a rima em seu repasso,
(Ar)dor que não se vê, mas que se sente.

Seguindo em frente, desfolhando o caderno,
Entre soluços hesitantes, o receoso pleonasmo,
Agudos espinhos que perfuraram o esterno,
(Ar)dor que te vingas do poeta, com sarcasmo…



Marco Mangas @ 18 de Agosto de 2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

(De)golada prosa


(De)golada está a prosa,
O sonho, a esperança,
Restam as pétalas de uma rosa
E o murmúrio de uma criança.

O instrumental é a sua fonética,
O verso o seu conflito,
Uma garrafa é apenas estética,
Seu sabor, verdadeiro mito.

No silêncio, o romance é a ficção,
A literatura tornou-se poética,
O poema assume a sua função,
Uma quadra, outra degustação ecléctica.

(De)golada está a prosa,
Ingerida a sua lembrança,
Complemento de uma glosa,
Esta esquírola é a sua herança.



Marco Mangas @ 14 de Agosto de 2013