segunda-feira, 9 de maio de 2016

Dilúculo



Admiro e soletro esta inquietude,
o nevoeiro da terra,
o caule das rosas,
a insensatez dos espinhos
que perfuram a carne branda,
exaltação do corpo,
pálpebras de uma tocha acesa,
espinhos de fogo,
devastação de madrugadas…

Há uma clareira, dilúculo,
gestação do medo,
outro dia,
o maior distúrbio dos horizontes,
a mesma rua vazia,
sangue derramado nas palavras,
adágio,
perfeição.

Marco Mangas

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Quero-te


Quero-te inocuamente,
louco de ser
na sombra da minha existência.

Quero a tua fertilidade,
as palavras profundas da terra,
coroa de jasmim.

Procuro-te nas sombras,
no silêncio da chuva,
vulto da tua essência.

Procuro a flor eterna,
nas pálpebras do horizonte,
a metáfora de mim.




Marco Mangas @ 15 de Abril de 2016

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ainda há pouco...



Ainda há pouco aqui estava
sentado,
diante o espelho,
provando as gotas do seu reflexo,
querendo desvendar
marcas de um passado
e algumas dedadas
do teu corpo.
…e nada.


Ainda há pouco aqui estavas
sentada,
diante o meu corpo,
teu sorriso
tocando o meu rosto,
palavras dóceis,
d’encanto, volúpia…
Sensatez do poema,
uma pedra fria.


Marco Mangas @ 18 de Fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

banalidades de um poeta


nasci carne e osso,
sonhei no infinito,
escrevi durante a queda no precipício,
semeei esperança,
compus a terra,
observei o nada,
pintei minhas mágoas,
viajei sem rumo,
sobrevoei outeiros e oceanos,
cruzei caminhos,
rasguei folhas de árvore,
sorri para a pétala de uma flor,
admirei o excêntrico,
descobri um ser,
colhi o explendor,
apaixonei-me pela vida,
contemplo a morte

…banalidades de um poeta!

Marco Mangas @ 17 de Fevereiro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Neste trilho de memórias…



Neste trilho de memórias,
ante vultos sombrios,
heis um clarão,
um poema que espreita o ventre,
o corpo da semente
fecundada pela lágrima
que não me ocorre.
Tacteio a terra,
firmo o olhar neste deserto
de palavras espezinhadas
pela mágoa e pela saudade
dos que partiram….
Vislumbro o tom fosco das raízes
devastadas pelo fogo,
aterrorizadas por esta vida telúrica
e seus transeuntes.


Marco Mangas@ 19 de Janeiro de 2016

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sentido da palavra



Queria decifrar dos teus lábios,
o beijo e a a luz do dia,
a razão da existência daquela pedra,
um olhar vago, encoberto , taciturno,
como se fosse uma presa degolada pelo medo,
sufocada pela sua própria respiração (…)

(…) não somos nada atrás da sombra,
terra (in)fértil,
incumbida de futilidade e desprezo.
Que sentido tem a palavra?


Marco Mangas @ 17 Dezembro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quero ser...


Quero ser por inteiro,
a raiz e a razão,
a sombra rasurada,
o ritual da (im)perfeição,
o subscrito,
a madrugada.

Quero ser o tempo
no passado,
o estame do profeta,
o chão nunca pisado,
o rosto da palavra,
o horizonte do poeta.

Marco Mangas

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Aroma de poesia



Entre anseios e afagos,
pedras frias, profanas, amargas,
vislumbra-se um mar ávido a Sul,
invocando a volúpia e o prazer,
traduzido por gestos que transpiram o seu sal
num deslizo vertical de ternura,
uma sensação estranha, pura,
que estrangula a voz e a palavra,
com um simples acenar de desejo,
sua nudez presencial,
aroma de poesia.

Marco Mangas

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Não posso


Não posso

Não posso odiar os dias,
a sombra das noites,
as reticências do amanhã

Não posso pontapear a vírgula
só porque tropecei no passado,
outra forma, outra falácia

Não posso beber a substância
que ainda procuro,
o reflexo dos meus sonhos

Não posso alimentar-me
das palavras
e da fome dos outros

Não posso esquecer a tua existência,
o teu sorriso
espelhado no meu olhar

Não posso, não posso
…mas posso fazer de conta
posso tudo e posso nada


Marco Mangas @ 07 Agosto 2015 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Metamorfismo dialéctico



Diante este mar prodígio
de livros enclausurados,
sobrepostos  e entrelaçados ao horizonte,
desvendarei as palavras perdidas,
no outro lado da margem,
remarei contra a corrente literária,
rasgando a página,
decifrando o significado desta viagem.
Os remos continuam rasurando os corpos,
escarafuncham os versos,
tempestuosos e tenebrosos versos,
no processo do metamorfismo dialéctico.

Marco Mangas @ 30 Julho 2015