sábado, 22 de junho de 2013

Criança


Criança…
Solitária e… abandonada…
Porque constróis alicerces no meio da estrada?
Aí passam carros, não há esperança…!

Criança…
Triste… esfomeada…
O que escreves nessa rocha decapada?
Porque cantas?... Ninguém te alcança!
…
Criança…
Pálida… despreocupada…
O que sentes? – Nada, simplesmente nada…
Desce uma miragem… Uma luz de confiança!

Criança…
Silenciosa… memória desperdiçada…
Alegre, vive agora deitada, acompanhada…
Aqui jaz… Voz ténue e mansa…

Criança…


Marco Mangas @ 15 de Janeiro de2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

Mais um…


Trago gestos inócuos,
Um toque de roxo avermelhado,
Tinto cheio, mais um…
No deserto, o cálice é ouro,
O tesouro dos que se dignam ao silêncio,
Dos que se limitam a viver de costas para o mundo…
Minhas mãos ocupadas, distantes…
Palavras salteadas procuram o oásis,
Sem (re)verso, ensopam-se no álcool,
Agitam o coração, as emoções…
Observo-me: sou eu sem desejar nada,
Somente lembranças…
Urge um nevoeiro que tapa o pálido luar,
Sinto um suor frio, mais um…
Tinto cheio, mais um…
Sabor a poesia, a monólogo, a surdez…


Marco Mangas @ 28 de Janeiro de2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

Desassossego




Desassossego de palavras,
Histórias…
Memórias…
 Sentimentos acordados,
Momentos recordados.
Aqui estão, abraçados a mim,
Desordenados, empilhados,
Cor de vinho, sei lá… Cor de uva?
Algo me impede de ver o seu interior,
Algo me sapara de si,
Embora juntos, abraçados,
Descalços…


Marco Mangas @ 28 de Maio de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Uma rocha



Velha estátua de alicerces sombrios,
Sem vida, inócua de valores?
Desconhecida aos olhares do mundo,
Incompleta de palavras…
Nem uma sílaba na sua tonalidade,
Nenhum piscar de olhos,
Sorrisos, choros, vozes...?
Nada testemunhará…
Simplesmente uma rocha!

Marco Mangas @ 28 de Maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

A indefinida definição


Escrever escrevendo
A indefinida definição,
Ser livre: é não ser eu,
sendo…
A palavra desconhecida,
O poema censurado,
A revolta liberal,
A indignação…
Aquele livro decretado!
Mais uma mote indefinida,
O neofascismo que me desapraz,
Que mascara a literatura,
Os verdadeiros…
Que borram os quadros pintados,
Logrados…
Foda-se!
Que se foda a definição.
Na palavra está a voz,
Na tela, a imaculada arte,
No rascunho a prespectiva de algo
definido, quiçá…
Manchado de sangue, certamente,
Suor, lágrimas também…
Antecipando o indefinido,
A indefinida definição desta realidade,
Deste futuro que se avizinha…



Marco Mangas @ 28 de Maio de 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013

São...




São riscos, são rabiscos,
São pedras atiradas à lava,
Madrugadas ébrias e frias,
Espetadas de basso…

São jazigos, sepulturas…
São gritos, vozes, sussurros!
Entre árvores arrombadas
Florescem punhais, pedras…

São orgias, violações,
São cancros, são pecados,
Chovem folhas, retratos ardidos,
Lágrimas pontiagudas…

São esboços de quem já foi,
São ossos de quem sorriu,
Do resto que ficou…
O copo permanece cheio!


Marco Mangas @ 22 de Maio de 2013




sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vestíbulo de palavras?!?

Terei dito: atrás, actriz ou atroz…
Ou meramente pensado com minha voz?
Sem dar nem dor… Amar com amor!
Qual o significado do que digo, do que disse,
Do que dizes… Do que direis vós?!?
…








…(In)palavras…





                       …(Des)palavras?!?


Marco Mangas @ 25 de Abril de 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

...





São gritos,
A gentileza partiu…
Ouvidos feridos, sensíveis…
Um turbilhão da mente.
Do infinito, de boleia com o vento:
O eco em bicos de pés…
Imperiosas notas agudas,
Tão distantes… Tão próximas!
Apagam-se as marcas frescas
Da história,
Do recente passado,
Dos meus sentidos,
Das minhas delicadas recordações,
Outrora navegadas entre as ondas do tempo!
Foi varrido desta vida: O silêncio…
Minhas mãos… Minha sombra!
Meu presente…
Minha saudade…
Minhas raízes…
…

  
Marco Mangas @ 24 de Março de 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Silêncio do meu sonho




Descanso em silêncio…
…No silêncio sou digno do som das palavras.
Só, neste instante, observando a multidão,
Realça-se o vazio que me intersectou,
A palavra mais pequena veio ao meu encontro,
Hoje, transmito a sua beleza ousada…
… e surpreendente,
Que mundo desproporcionado, absurdo e ilícito…
Existirá alguma razão deste meu sonho?
Desta minha loucura?
…


Marco Mangas @ 25 de Janeiro de 2013

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O tempo...




O tempo é o nada... Que invade e mata,
É somente a praga e nada de verdade…
Um sopro da alma… da vida ingrata…
(…) Deste fim sem data…
Sem dó nem piedade, virtual realidade…

O tempo não existe… Mas persiste…
Não é fruto do ser (…) insuficiente…
Mas com crueldade, ele insiste
Em manter o Homem triste…
Que respira do início ao fim, intensamente…


Marco Mangas @ 17 de Dezembro de 2012